Tomb Raider é finalmente uma digna adaptação de vídeo-games!

Não é de hoje que o cinema vem recebendo adaptações de jogos eletrônicos. Tivemos vários tropeços como Assassin’s Creed (2016) e outros que tornaram-se franquias lucrativas como Resident Evil, que por mais que muitos torçam o nariz é uma adaptação. Porém, são muitos erros e poucos acertos e talvez isto possa mudar com a chegada de Tomb Raider – A Origem.

Dirigido por Roar Uthaug (A Onda, 2016), o filme é baseado no reboot do jogo de mesmo nome publicado pela Square Enix em 2013. No jogo, temos uma nova Lara Croft com atributos mais reais do que as dos jogos anteriores. Em busca de um tesouro perdido em uma ilha, a jovem Croft precisa utilizar suas habilidade de arqueóloga para desvendar enigmas e escapar de uma organização conhecida como Irmandade Solarii e sua adoração pela deusa Himiko.

No filme, Lara é interpretada pela vencedora do Oscar Alicia Vikander. O filme engloba tanto a história do primeiro jogo quanto sua sequência, e Alicia encorpora fielmente a personagem que conhecemos. É a primeira vez que vemos uma personagem de vídeo-game tão bem representada, não só fisicamente, mas trabalhada nos mínimos detalhes. A motivação, os aspectos que a levam a aventura, o drama envolvendo o pai e a corporação Croft. Toda a carga dramática é expressada com louvor pela atriz.

Por mais que trate de uma adaptação, o roteiro do filme é um pouco corrido e explora poucos detalhes que poderiam ser trabalhados para a próxima sequência do filme. Como já havia dito, o filme une a história dos dois jogos e transforma a trama de maneira mais palatável ao público, brincando entre ciência e mito sobre a deusa Himiko e o motivo da corporação Trindade (vilões do filme) mandarem Mathias Vogel (Walton Goggins) para a expedição. Os coadjuvantes do filme também são outro ponto forte do filme. Goggins, que interpreta o antagonista frio e calculista do filme, faz com que o espectador sinta raiva dele, enquanto Dominic West, que interpreta o pai da Lara Croft, consegue mostrar muito bem a mudança ao longos dos anos e sua preocupação do tesouro cair em mãos erradas.

Um dos únicos problemas do filme é a pouca exploração dos cenários. Por mais que a fotografia em alguns momentos sejam belos, falta-se ainda um melhor aproveitamento do local. Assim como a montagem do filme que em alguns momentos é perceptível o erro de continuidade. Pequenos, mas presentes. Outra mudança radical no filme é que Lara Croft ainda não é uma arqueóloga forma (nem faculdade ela tem) e todas as suas habilidades provém de sua linhagem sanguínea, tornando-se quase uma super-heroína autodidata. Não é tão ruim isto, mas foge um pouco da proposta do filme.

De qualquer maneira, Tomb Raider é um filme decidido e acessível para qualquer público. Lara Croft é uma personagem real, que apanha como qualquer pessoa e se esforça para conseguir evoluir, mesmo que em muitos momentos isto não aconteça. Sem dúvida, o longa pisa em um gramado bem firme e não faz apostas surreais. A ação é bem colocada, assim como os momentos de respiração após uma longa tomada de cenas de tirar o fôlego. Vale muito a pena assistir!