Homem-Formiga e Sessão da Tarde!

Homem-Formiga e Sessão da Tarde!

Dizer que o Universo Cinematográfico Marvel possui uma imensidade de histórias ótimas é como chover no molhado. Por conta de direitos autorais e a eterna guerra dividindo seus personagens (X-men e Quarteto Fantástico seguindo linhas com a FOX, seguidos do nosso querido escalador de paredes com a SONY).

Independente disso, Marvel já mostrou que sabe muito bem apresentar seus personagens, construir histórias cheias de detalhes e tramas com algo que realmente envolva o espectador. Vejam e revejam “Capitão América: Soldado Invernal” como exemplo. Por um instante até fiquei convencido de que Chris Evans parecia um pouco o bandeiroso. Ao contrário do primeiro ponto, temos também “Guardiões da Galáxia”, um roteiro bem montado apesar do clichê (um monte de renegados que se unem em prol de uma força maior) mas repleto de referências oitentistas e diversão a rodo. Homem Formiga (Ant-Man) é o mais novo filme do MCU, e interage como um meio termo entre essa divisão, mesmo que não funcionando. As vezes sério demais e em outras, cheio de graça desnecessária.

Com a direção nas mãos de Peyton Reed (The Break up/Yes Man), Ant-man traz consigo uma história menor (BA DUM TSS) comparado aos antigos títulos de heróis. Claro que existem as grandes organizações rivais HYDRA e SHIELD, mas não se apegam tanto a explorar os acontecimentos já desenvolvidos no universo Marvel.

O filme começa com Dr. Pym (Michael Douglas) renunciando à SHIELD por descobrir que a corporação estaria tentada a duplicar sua fórmula de partículas Pym, um experimento que permitiria encolher. Nessa cena de discussão conseguimos notar a primeira desavença do filme: Mitch Carson (Martin Donovan) chora as pitangas para que Henry Pym abra mão de sua fórmula para o desenvolvimento de armamento e tudo mais. Aquela velha ladainha que já conhecemos.

Pulando para o cenário atual, temos Scott Lang (Paul Rudd), um ladrão recém saído da cadeia e seu amigo Luís (Michael Peña), antigo companheiro de cela. O personagem de Rudd mostra o quão problemático pode ser uma vida pós-prisão, intercalando entre a busca de emprego e a aceitação da sua família. Quando digo “família”, entenda como apenas a filha de Scott Lang, uma princesinha de uns 6 anos no chutômetro porque não prestei atenção em quantos anos ela estaria fazendo na sua festa de aniversário e que imagina seu pai como um herói. Mini herói! 🙂

Henry Pym descobre que seu antigo pupilo Darren Cross (Corey Stoll) é o atual presidente de sua empresa, a Pym Technologies, onde descobre o projeto Jaqueta Amarela, uma espécia de armadura encolhedora criada por Cross que promete revolucionar o ramo de espionagem e guerrilha.

E é isso aí! Temos o herói antigo que sabe que não pode mais lutar para salvar seu experimento (Dr. Pym); O vilão egocêntrico ressentido que viu seu mestre esconder segredos dele e desenvolveu sua própria forma de encolhimento (Darren Cross/Jaqueta Amarela) e o atual herói que pretende se redimir com a sociedade e consigo mesmo, que acaba vestindo o manto como Homem-Formiga (Scott Lang). Pra “acrescentar” na história, ainda temos a filha de Pym, Hope van Dyne (Evangeline Lilly), que sabe sobre os segredos que o pai guarda escondendo a roupa de Homem-Formiga e acha uma atitude egoísta papai confiar a missão a um desconhecido ao invés de sua própria filha.

Com o cenário montado, o filme entra na linha de todo super herói: Lang não entende porra nenhuma ao certo sua missão real e seus poderes com a roupa, logo depois seguindo o treinamento de Pym e aprendendo a controlar tipos de formigas ou encolher de tamanho, assumindo verdadeiramente a essência do personagem. Destaque para uma das grandes cenas onde o novo e recente herói tenta atravessar uma porta atravessar da fechadura. Paul Rudd encarna a persona e faz isso com maestria, talvez pelo carisma do ator. Aposto que você tomaria uma gelada com ele em um boteco qualquer por aí, e faria isso feliz em uma quinta-feira depois do trabalho. Essa situação seria ainda mais memorável se o personagem de Michael Peña também estivesse presente. Luís funciona como um alivio cômico bem encaixado em vários momentos do plot.

ant-man
Scott Lang com cara de: “QUE PORRA É ESSA?”

O carisma comentado de Rudd é contrabalanceado com o de Michael Douglas, mostrando se desconfortável no papel “herói falido” e até me passou um ar despreocupado com a missão real; Cross faz o papel de vilão “maníaco-crianção”, chegando a beirar Ultron no ultimo Vingadores e Evangeline Lilly é a filha mimada que precisa de um estímulo de alguém desconhecido de fora para entender a situação toda, o que a torna chata para o filme.

Em relação as referências, o MCU está de parabéns novamente. Com referência diretas, como quando o próprio Scott diz que isso seria um problema para chamar os Vingadores a easter-eggs em miniatura distribuídos pelo filme. Thumbs up para a introdução do Falcão, funcionando como um segurança do prédio dos Avengers e uma ponte de inclusão entre Lang e equipe.

Vale cada centavo do seu dinheiro gasto no cinema, e sério, ASSISTA NO CINEMA. O 3D e a sonoridade é uma mão na roda para te ajudar na imersão no micro-verso. SÉRIO.

É um filme realmente bonito, onde funciona bem dentro da sua trama apesar dos probleminhas de “casos de família” comumente discutidos em outros filmes. Como opinião própria, esperava algo mais grandioso, sem trocadilhos. Mesmo encaixando no Universo Marvel já estabelecido ao final, sinto falta do mesmo hype que tive com “Guardiões da Galáxia” em trazer personagens não tão conhecidos pelo publico de uma forma tão sútil e foda ao mesmo tempo.

Homem-Formiga é leve e divertido, contendo o tipico filme que vai te deixar com um sorriso após a sessão. E é isso!

No fundo você sabe que será eternamente reprisado na sessão da tarde, até todos cansarem.

 

DICA: ASSISTAM ATÉ TER CERTEZA DE QUE O FILME ACABOU TOTALMENTE. ESPEREM ATÉ O ULTIMO SEGUNDO E PRESTEM ATENÇÃO EM TUDO!