Realidade Virtual e Cinema Francês, uma combinação perfeita!

Durante esse mês está acontecendo o Festival Varilux de Cinema Francês 2017, com filmes e eventos por todo o país. Em São Paulo e no Rio de Janeiro uma mostra de filmes franceses com tecnologia de realidade virtual está sendo exibida entre os dias 8 e 18 de junho e tivemos a chance de conferir. É a primeira vez que um festival no Brasil dedica uma seleção específica a esse gênero, que também integrou o Festival de Cannes em 2017 com um filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu, “Carne e Areia”. Conferimos a mostra na cidade de SP, que está localizada no Cine Arte.

Com 7 filmes disponíveis de 8 anunciados, a mostra contava com óculos rift acoplados com Samsungs S6, com a tecnologia que permite o uso do VR (Virtual Reality). Próximo a bilheteria do Cine Arte, a mostra contava cerca de 10 cadeiras giratórias e os equipamentos, além de três pessoas para ajudar na recepção e uso. As cadeiras giratórias permitiam que o usuário pudesse ter uma completa imersão nos filmes sem precisar sair do lugar.

Entre os filmes disponíveis estavam I, Philip, De Pierre Zandrowicz com roteiro do próprio e Rémi Giordano. Uma animação live-action que mostra a vida de um androide com forma humana chamado Phil, que é a cópia perfeita do famoso autor de ficção científica Philip K. Dick. Após algumas semanas Phil se torna famoso na internet, principalmente os fãs do autor. O robô acaba apresentando diversas de conferências ao redor do mundo. No fim deste mesmo ano, a cabeça do androide desaparece durante um voo da America West Arilines entre Dallas e Las Vegas. Por meio das memórias do androide e do autor, o filme oferece uma interpretação da vida de Phil de uma forma tocante e profunda, muitas vezes difíceis de diferenciar da vida real e virtual. Sem dúvida um trabalho brilhante criado por Zandrowicz e Giordano que em poucos minutos (14min) consegue capturar o espectador e coloca-lo dentro (literalmente) do filme junto com suas emoções.

SERGEANT JAMES

Outro filme disponível era Sergent James, de Alexandre Perez com 7min. Este filme mostra a vida dentro quarto de uma criança, Léo, de sete anos. Ao ser colocado para dormir o quarto se transforma e você, observando tudo abaixo da cama, vê a magia acontecer. Um filme belo que traz uma grande dúvida no final, afinal seria os pensamentos de uma criança ou realmente uma criatura embaixo da cama?

Outra produção imersiva era o documentário Out of The Blue, de Sophie Ansel e produzido por Pelagic Life, Oculus e Reelfx. Nesta produção áudio-visual incrível você é colocado na história inspiradora do legado de uma criança em Cabo Pulmo, uma pequena cidade do México. A região bela e natural que foi considerada como “o aquário do mundo”, por Jacques Cousteau, por anos sofreu uma intensa pesca predatória tanto por habitantes locais quanto por outras pessoas, destruindo aos poucos os recifes ricos de diversidade e deixando os habitantes locais à beira da extinção. Como maneira de impedir está devastação, as famílias dos pescadores escolhem tomar uma decisão drástica e revolucionária: sacrificar sua única fonte de alimento e renda, proibindo a pesca naquelas águas para que a vida marinha se restaure e volte a viver naquela região. Ao passar o filme você observa como a área renasceu, nadando ao lados de gigantescos cardumes de peixes e conhecendo as pessoas que ajudaram a criar o Parque Marinho de Cabo Pulmo. Tocante e com uma mensagem fantástica sobre a importância da conservação e a proibição da pesca intensa.

Entre outros filmes disponíveis estavam S.E.N.S que é um jogo interativo criado por Charles Ayats, Armand Lemarchand e Marc-Antoine Mathieu e usa a tecnologia UBMTH. No jogo o espectador se dirige através de um cenário linear em preto e branco. É preciso selecionar direções, objetos e placas de direção para evoluir nesse jogo que é completamente misterioso. Dentre todos as opções este era o que poderia se tornar o mais entediante, uma vez que você poderia usar apenas o foco da sua visão para manipular a poucas opções que a experiência permitia. Mesmo com uma proposta boa, S.E.N.S deixa muito a desejar em relação as outras obras da mostra.

Outra obra bem chocante era VIENS! disponível para maiores de 18 anos. De Michel Reilhac e usando a tecnologia criativa Carl Guyenette, VIENS! trás o espectador para um ambiente onde há três mulheres e quatro homens nus, surgidos de lugar nenhum num fundo branco, no espaço ensolarado de um cômodo iluminado fora do tempo. Usando o nu artístico com toques, energia e sentimentos, a obra choca muito o espectador que não estiver acostumado com esse tipo de obra áudio-visual.

Por fim, o último filme que tivemos a oportunidade de conferir foi Kinoscope criado por Philippe A. Colin, Clement Leotard, produzido por Ex Nihilo, Novelab, La Cinémathèque Française, Google Artes & Culture e narrado por Dean Tavoularis (O Poderoso Chefão, Apocalipse Now). Uma animação completamente em francês que é uma das experiências mais incríveis para os amantes do cinema. Uma viagem pelas principais cenas que o cinema já capturou. De Méliès e Chaplin a Kubrick e Tarantino. A animação Kinoscope é tocante, fascinante e inspiradora.

A edição de 2017 do Festival Varilux de Cinema Francês acontece entre os dias 7 e 21 de junho, chega a mais de 55 cidades, distribuídas em 21 estados e Distrito Federal. A programação deste ano é composta por 19 produções inéditas nos cinemas brasileiros, incluindo um documentário e um clássico. Para mais informações confira o site.