O significado de humanidade – Planeta dos Macacos: Guerra

Nosso líder Ceaser nos impediu de mandar spoiler aqui!

 Talvez a maior carta na manga da franquia Planeta dos Macacos seja a ideia simples de inversão imensa dos poderes sociais. A nova trilogia (esqueçam aquela tranqueira de remake do Tim Burton) aborda bem a ascensão e sucessão dos primatas, já inteligentes e comunicativos no decorrer da história, e uma procura radical dos humanos em exterminar a nova raça para voltar ao resultado “natural” da balança. Com isso, a Fox decidiu apostar novamente no apocalipse social que começara lá em 2011 com Planeta dos Macacos: Origem, tornando se um dos melhores exemplos da franquia e colocando um novo panorama dramático para o tema.

Agora, Ceaser (ou César, com Andy Serkis brilhante no papel) está ainda mais maduro que em seus filmes anteriores, tornando se um real líder de seu povo e família, somado ao fato de serem caçados pelos últimos humanos da região comandados por Coronel (Woody Harrelson), que mostra seu verdadeiro significado naquilo tudo lá pelo meio do filme: o vírus que dizimou a humanidade por conta do contato com os símios começou a apresentar a falta de fala em humanos.

A ambientação, que vai desde florestas arqueadas em verde e cavernas escuras até bases militares cobertas por um branco da neve que chega a machucar os olhos de tão bonito, deixa bem claro o que ocorre durante todo o filme. Ceaser ainda faz o possível para se entender com os soldados mas né … a raça humana é mesmo uma merda.

“RELOAD DONKEY”

É interessante pensar que apesar de serem de espécies diferentes, ambos os lados defendem um ideal. Com isso, o clima parece sempre tenso, de não saber o que vai acontecer ou que a qualquer minuto um tiro vai voar de algum lado e levar aquele personagem que estamos nos apegando. A mobilidade mais ágil (além da força) dos primatas pode ser um fator crucial contra os humanos caso não tivessem que lutar também contra outros macacos desertores.

Sendo poupados da morte e em troca utilizados como “trabalhadores”, desde carregadores de munição à capatazes de chicote na mão contra sua própria espécie, os chamados Donkey (Jumento) são tratados sem carinho, apenas para servir mesmo.

 Andy Serkis por outro lado demonstra muito mais a vontade no papel de Ceaser, fazendo o Motion Capture e coordenando sua tropa a favor da sobrevivência. O ator dá uma aula de incorporação, indo desde a fisionomia ao modo de andar, falar e se movimentar durante os takes. Academia do Oscar, por favor né?

Na mão do diretor Matt Reeves e do roteirista Mark Bomback, a referência a clássicos do cinema oitentistas é simples e sagaz, como Apocalypse Now de Coppola (1979) para montar Woody Harrelson como Coronel e a também recriar a sensação de tristeza com Ceaser preso em uma cela, relembrando O Homem-Errado de Hitchcock (1956).

 

A ideia do opressor e oprimido ainda é existente durante todo o longa, mas não com um contexto de herói ou vilão, apenas como fio condutor da trama. É interessante pensar que Planeta dos Macacos é considerado um dos maiores nomes dos blockbuster e que tenha evoluído tanto junto a seus personagens. Há um discurso claro sobre a cultura da militarização e as atitudes “humanitárias” em prol do lado defendido, justificando a motivação de todo aquele universo.

James Franco levantou a questão de: “muitas vezes as atitudes mais humanas vêm dos animais” no primeiro filme da franquia e isso conclui-se muito bem agora: Planeta dos Macacos: Guerra não é necessariamente sobre uma guerra entre dois lados completamente diferentes, repleto de ação e violência e sim sobre a filosofia da vida e quão comunitário pode ser a evolução.

 

Só esperava mais pelo personagem de Preacher. Podia ter decidido tudo de uma forma diferente esse maldito! 😀