O mercado de animes em home vídeo no Brasil

O mercado de animes em home vídeo no Brasil

Ser colecionador, no Brasil, não é uma tarefa fácil. O desdém com o consumidor é tão grande que parece que as empresas pensam fazer um favor quando lançam edições sem nenhum diferencial, a preços exorbitantes. Ser colecionador, e fã de animes, entretanto, é muito pior.
No post sobre os blu-rays da AnimesDVD, citei que o número de pessoas que compram títulos piratas aumenta (entre outros motivos), por que a indústria do home vídeo não dá a mínima para os fãs do gênero. Mas pensando um pouco, me dei por conta que não existe um mercado de animes no Brasil. Temos alguns casos isolados. Se der lucro, continua. Se não der, cancela. E para o cara que gasta, que investe, resta torcer que a coleção chegue ao fim.
Começa aqui uma série com alguns cases dos lançamentos de animes no Brasil. Entre (poucos) acertos e (muitos) erros, confira o que de mais importante aconteceu no país.
Uma outra Playarte 
Maior fenômeno entre os animes já lançados no Brasil, “Os Cavaleiros do Zodíaco” também são o maior hit do gênero em DVD no país. A responsável por isso foi a Playarte, na época mais conhecida por trazer os filmes da New Line. A distribuidora aproveitou o retorno da série em 2003, no Cartoon Network, que angariou novos fãs, e fez o lançamento no ano seguinte.
O primeiro box recebeu uma lata e outra edição mais simples, com um box para os cinco discos, além de cards em ambas as versões. O sucesso foi instantâneo, tanto que terminou o ano como a quinta caixa mais vendida no Submarino. Mesmo custando R$ 159,90. Apesar da boa apresentação, a Playarte cometeu vários erros na autoração dos discos, como quadriculação, erros na abertura e encerramento e falta de eye-catches.
Não demorou muito para o lançamento da segunda caixa, que também recebeu uma lata. A embalagem diferenciada, porém, foi cancelada a partir do terceiro box. A justificativa da empresa é que o produto tinha um custo elevado para o baixo número de vendas. Ou seja, o pessoal preferiu pagar um pouco menos e levar a edição simples. Quem investiu pensando que continuaria com um produto diferenciado, ficou chupando o dedo.
Os problemas continuaram, como na terceira caixa, que precisou passar por um recall, já que um dos episódios não estava completo. Mesmo assim, as vendas, apesar da queda a cada novo box, foram boas. Em um ano os 114 episódios haviam sido lançados em seis partes e 21 discos. Números não oficiais indicam que foram vendidas mais de 250 mil cópias até hoje, o que levou a empresa a manter o investimento.
Em 2006, a primeira fase da saga de Hades foi lançada. No ano seguinte, foi a vez dos filmes. Na sequência, com uma diferença de um ano do Japão, saiu o complemento do final dos Cavaleiros. No final, porém, não faltou ganância para a Playarte. Os seis episódios dos Elísios foram divididos em três discos, vendidos a R$ 39,90 cada, ou seja, quase 20 reais por capítulo!
A empresa fez o que se esperava: lançou todo o conteúdo possível de Cavaleiros – exceto “The Lost Canvas”, que ficou com a Flashstar e “Batalha do Santuário”, da Diamond Films, que não tem planos de disponibilizar o filme em mídia física. Porém, a Playarte cobrou (e muito) por isso. Atualmente, os DVDs estão fora de catálogo, mas a fase clássica pode ser encontrada facilmente em lojas virtuais. Em 2013, as Americanas e o Submarino chegaram a lançar caixas com os 21 primeiros discos e depois com Hades, mas esgotaram rapidamente.
Já está na hora da Playarte cogitar um relançamento. A demora poderia significar duas coisas: que a empresa perdeu os direitos sobre a série ou que planeja o anúncio de um blu-ray. Na primeira alternativa eu não acredito, já que no ano passado realizaram um evento nos cinemas para comemorar os 20 anos de Cavaleiros. A segunda, apesar de possível, esbarra na falta de apoio atual. A única produção neste formato no país, “Saint Seiya Omega” não está com boas vendas. Mas a esperança é a última que morre. 😀