O “mais melhor” detetive do mundo. Batman: Silêncio

O “mais melhor” detetive do mundo. Batman: Silêncio

Dizer que Batman é talvez o herói mais conhecido do mundo é como chover no molhado. O cara já ganhou filmes, série, jogos, desenhos animados, versões em animes, bonecos, além de seus quadrinhos e mais uma porrada de outras tranqueiras a favor do consumismo (eba!). É exatamente isso que o torna tão maneiro (pelo menos a mim): a montanha de conteúdo e universo que existe por ali.

Com isso, a existência de alguns clássicos é inevitável: “A queda do morcego”, “Cavaleiro das Trevas” e o meu favorito “Piada Mortal” são obras essenciais aos amantes do morcegão, no mínimo. Não digo que por ser um personagem tão querido e famoso não haja algo ruim ou meia-boca por aí, mas Batman: Silêncio (Hush) se enquadra bem no conceito mediano da coisa.

Nunca fui muito fã de Jeph Loeb (concordo que isso talvez tenha pesado mais ao avaliar essa história), desde a cagada feita por ele em Supremos 3. Me lembro de ler a sequência da HQ em uma noite e lá no finalzinho da madrugada, usei minhas últimas forças para o terceiro livro. Que desperdício de tempo e sono!

Mas cargas d’água, Silêncio me interessou primeiramente pela arte de Jim Lee. Aqui, desenhando repleto de detalhes nos cenários e mesclando ao estilo escuro do morcego, Lee mostra sua arte contrária ao que era trabalhando com os X-Men, coloridos e carnavalescos da Marvel. No final de tudo casa muito bem com o roteiro.

Ah, o roteiro de Loeb … ali se encontra o problema disso tudo. Na tentativa de mostrar um lado mais humano de Bruce Wayne, o roteirista acaba tropeçando e se auto-copiando, trazendo aquela fórmula da sua obra anterior “O Longo Dia das Bruxas”. Infelizmente.

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Pobre Batsy
Pobre Batsy

Lançado em 2003, Silêncio conta a história de mais uma aventura do “maior detetive do mundo” atrás de um dos seus maiores e mais misteriosos vilões: Silêncio, que resume se a um cara que conhece o segredo de Bruce e com talvez mais astúcia e inteligência. Tudo começa quando Batman acaba caindo de um prédio depois de ter sua bat-corda cortada e acordando em um hospital, sendo operado pelo seu melhor amigo de infância Tommy Elliot. Você, como um leitor de quadrinhos do morcego vai perceber que esse é um nome novo, até mesmo para o passado nebuloso do jovem Wayne. A trama gira em torno desse elo DESCONHECIDO entre os dois.

O conceito de traição e confiança chega a ser interessante. Ao mesmo tempo que não conhecemos sobre Elliot, ele se mostra um excepcional neurocirurgião e amigo, lembrando de momentos da infância dos garotos que achavam o máximo ser ou ver um super herói. Alan Scott, você é o cara! ;D

Batman se recupera do traumatismo ao poucos, ainda seguindo todas as pistas até o novo vilão, que até então não tinha mostrado a “cara” ou suas intenções. A partir daí, você poderia retornar e ler “O Longo Dia das Bruxas” novamente que é a mesma coisa. Nosso amado senhor da noite segue, esmurrando vilão clássico por vilão clássico até encontrar o autor de toda a palhaçada.

HAHAHA sim, eu disse palhaçada pra você entender que o Coringa está envolvido nisso, mas lá o palhaço do crime é apenas uma peça do quebra-cabeça. E não para por aí: Killer Croc, Arlequina, Poison Ivy, Ra’s Al Ghul, Charada, capangas e mais capangas, Caçadora, Cara de Barro, Espantalho, Robin e como não mais, nosso amigo escoteiro de azul-vermelho Capitão América Superman.

Inserir um personagem que não faz parte do universo Batman até então nos dá a impressão de que algo está errado, somado ao ar preocupadíssimo que Tommy passa a ter de uma hora pra outra. Neste cenário, o mínimo de detetive que há em você deve avisar que um amigo de Bruce que nunca apareceu nos quadrinhos e um novo vilão da cidade que também nunca vimos deve ter alguma conexão. EIN? EIN? Lembro de ser retratado como o “maior detetive do mundo”, sempre preparado e que descobriu que Lois Lane estaria grávida de um filho do Super APENAS olhando para ele, raramente enxerga alguma pista entre suas perseguições e murros aqui. Talvez isso seja apenas um título. ¯\_(ツ)_/¯

Isso tudo resume se, adicionado a uma motivação vaga de Silêncio para agir assim contra o morceguinho. Não vou dar spoiler porque talvez essa seja a parte mais interessante da trama, só que ao contrário do que você pensa. 😀

Por fim, Batman não passa de um fantoche trapalhão. Já sabemos quem é o vilão por trás das cordas antes mesmo de sair da segunda parte da HQ, já que tudo é escrachado a ponto de tentar se esconder. O dinheiro parece ser o único meio preguiçoso que une os maiores vilões e mafiosos de Gotham em prol da porra de um cara desconhecido.

“Batman: Silêncio” tentou caminhar para ser tão boa quanto outros de seus títulos, mas acabou trazendo o fator fan-service a tona, apesar da arte excepcional. Talvez tudo isso tenha funcionado mensalmente, mas não como graphic novel.

A empresa Eaglemoss prometeu distribuir algumas histórias da DC comics, encadernadas, com uma bela lombada para decorar sua estante e o título está incluso no pacote (dividido em duas partes), que vou adquirir pois vai combinar com a coleção Marvel – Salvat. Damn Consumerism!!! D:

  • Lucas Pereira

    “o mais melhor” Batman é “O mais melhor dos melhores” corrija isso ai. HAHAHA