Nerdcida Indica | A bizarrice de Earthbound!

Se você é daqueles que conhece (ou conheceu) Ness, protagonista do jogo Earthbound, no Smash Bros. de Nintendo 64 e achou que encerrou por ali o personagem, já adianto que você está perdendo um PUTA JOGAÇO!

Conhecido como Mother 2 no Japão, o game surgiu em terras ocidentais depois do boom do clássico Chrono Trigger ou Final Fantasy, trazendo o conceito de RPG mas sem a era medieval ou futurista que abordavam seus exemplos. Amavelmente bizarro, o jogo trouxe uma das maiores (quiçá melhores) experiências que já joguei nos últimos tempos em relação a história e simplicidade.

Co-desenvolvido pela Ape, Ince Hal Laboratory e publicado pela nossa tão amada Nintendo pro Super Nintendo (como joguei esse videogame), Earthbound conta a história de Ness, um garoto que é acordado por seu vizinho Pokey pedindo ajuda para achar seu irmão mais novo. A partir disso, descobrimos que um meteoro caiu na cidade começando a causar alguns eventos diferentes do cotidiano, envolvendo a equipe (sim, terão mais personagens no bando) nas situações mais absurdas e inimagináveis possíveis.

Indo de inimigos como zumbis, dinossauros, robôs e alienígenas, o jogo ainda cava mais fundo dentro na estranheza de cada capítulo da sua história: o “Culto a cor azul” mostra o fanatismo de uma religião (?); uma estátua falante que na verdade é uma dungeon; um mundo secreto que fica escondido atrás de uma estante de bebidas alcoólicas; um bolo alucinógeno ou um fotógrafo maluco que aparece quando menos esperarmos. Na adição de tacos de baseball, io-iôs ou frigideiras ao invés de espadas e hambúrgueres ou batatas frita ao invés de poções, a ambientação “infantil” (mas bem construída) declara bem a intenção da obra: colocar crianças e toda sua imaginação pra resolver a missão de salvar a Terra.

Com um background para cada personagem principal, cada um deles desenvolve técnicas e “manias” conforme suas evoluções de níveis. Poo não pode usar itens comuns por seu um príncipe, Jeff é um gênio mas não pode utilizar magias psíquicas por conta de seu ceticismo, Paula pode rezar e revitalizar o time todo com um milagre e Ness, se não conversar com sua mãe pelo telefone, pode ficar triste e perder seu espírito de luta. 😀

Sobre a jogabilidade, talvez a maior base do jogo seja Chrono Trigger. Bebendo muito da fonte dos RPGs de turno com adição de magias, golpes especiais ou técnicas pra melhorar sua estratégia no game. Interessante pensar que o sistema de HP funciona como um velocímetro, sendo que se caso tiver um dano crítico na vida do seu personagem, ainda dá tempo de sacar aquela carta de manga ou magia pra tentar continuar em combate. Isso deixa a aventura mais dinâmica e menos cansativa.

Com crítica escondidas mas essenciais, o jogo faz alusão ao cotidiano atual nosso, com situação de fanatismo religioso por exemplo (citado mais acima), ao capitalismo empresarial (com o prefeito de Fourside, Monotoli) e a mais interessante (na minha opinião) que é a aparição do pai de Ness apenas ao telefone, dizendo que está depositando dinheiro na conta do filho.

Na minha visão e recomendação, o roteirista e diretor Shigesato Itoi deixou claro sua forma de interpretar o mundo, com um humor meio sem sentido á la Monty Phyton. Earthbound mostra que o mal está lá, perambulando ou escondido nas coisas mais simples o tempo todo, mas podemos acreditar que temos esse poder imenso pra impedir que essas certas coisas aconteçam.