Liga da Justiça é o caminho de um rio menos sinuoso

Você com certeza já deve ter assistido algum desenho da Liga da Justiça, seja ele nos Super-Amigos de 73′ ou então Liga da Justiça do início dos anos 2000. Aquele grupo de seres poderosos, super-heróis que enfrentam o mal e trazem a paz ao nosso mundo. É, sem dúvida nenhuma, uma das equipes que saíram dos quadrinhos mais conhecida do mundo e finalmente chegou ao cinema. O caminho não foi fácil, alguns erros como Batman vs Superman e outros bons acertos (ou único acerto) como Mulher-Maravilha.

Claro, apresentar novos personagens, nova ameaça e ainda entrar em agrado para o público não é uma tarefa fácil, mas Zack Snyder em sua terceira tentativa consegue finalmente entregar um filme digno de ser assistido sem medo de errar, ao lado do dos roteiristas Joss Whedon (Vingadores 1 e 2) e Chris Terrio (Batman vs Superman). Depois de muito sofrimento, em parte pela crítica e outra parte a aceitação do público, Liga da Justiça traz um filme muito menos carregado com o sombrio/realista e declara finalmente que filmes de “super-heróis” devem ser mais leves e coloridos. Claro, o filme não é apenas isto e traz muito mais detalhes do que pancadaria fofa.

Sim, detalhes sutis que merecem destaque, como críticas sociais sobre a falta de esperança e pessoas isoladas em locais horríveis de se viver. Um filme que as piadas para deixar o filme mais leve e ao mesmo tempo inclui situações que te fazem pensar.

E piadas é o que não faltam no filme. Em certos momentos chegam a ser bem sem graças, mas a grande maioria possui o time correto e não quebram uma cena dramática ou um diálogo importante do longa. Finalmente, um filme do DC Films que ri dos seus próprios problemas. E tudo isso é graças ao elenco muito bem escalado, que consegue entrosar e fluir muito bem. Ben Affleck e Gal Gadot conseguem ser convictos em sua relação, tanto amigável quanto ao teor sexual. Por outro lado, Jason Momoa e Ray Fisher até entregam boas atuações, mas possuem pouco tempo de tela e, quando possuem, são ofuscado pelo carisma do Flash de Ezra Miller que rouba praticamente todas as cenas. Mas, o destaque aqui vai para Henry Cavill, que mesmo com problemas no seu rosto dado ao CGI usado para tirar seu bigode, finalmente entrega o Superman que todos esperam desde O Homem de Aço. Cavill não serve para ser dramático, isto ficou claro em BvS, a sua melhor performance é com carisma e piadas.

O roteiro é um dos pontos mais negativos do filme. Um filme muito corrido e com situações bem preguiçosas que poderiam ser muito bem exploradas. Um vilão tão mal desenvolvido e que não traz nenhuma ameaça, a não ser a inicial na ilha Paraíso. Darkside deve ter vergonha do “conquistador” de mundos que enviou para a Terra. O CGI também não é um dos pontos positivos do filme, mas que passa longe de ser um problema. Não tem como transformar algumas situações do filme realistas.

Mas, a cereja do bolo está na trilha sonora que utiliza de acordes de temas clássicos como Batman 80′ de Danny Elfman e Superman Theme de John Williams. Todos usados de forma geniais que muitos saudosistas irão chorar. É quase um desenho animado com os temas que você ouvia desde criança. Aliás, o filme é quase um episódio de desenho.

Foi um caminho com muitas curvas e dificuldades para que a Warner Bros. e a divisão da DC Films pudessem chegar onde chegaram. É a conquista que o público sempre esperou e é o momento certo para brilhar e trazer o otimismo e esperança que os quadrinhos já vêem trazendo. Agora, o caminho está traçado, os personagens estão no auge e nenhuma pedra pode impedir. Superman é o Superman que todos queriam, Batman finalmente o definitivo, Mulher-Maravilha saiu das sombras e está pronta para um novo filme. Aquaman, Ciborgue e Flash caíram no gosto de muitos, sem sombra de dúvida. Finalmente, a Liga está reunida.