A lição de 15 anos de Naruto!

Me lembro bem de assistir Naruto pela primeira vez na casa do meu tio. Sentei em frente ao computador da minha prima (que na época manjava dos paranauês de internet) e assisti ao capítulo em que o time 7 formado por Naruto, Sasuke, Sakura e Kakashi precisam defender um construtor de pontes do espadachim mercenário Zabuza Momoshi.  Ainda no episódio, a cena em que o ninja corre em direção aos outros com ambos os braços quebrados e uma kunai (uma espécie de faca ninja) na boca, destroçando quem passasse no caminho segue como uma cicatriz de algo bom. Isso foi a 14 anos atrás.

Uma das grandes obras de Masashi Kishimoto, o anime Naruto (derivado do mangá homônimo), encerrou dia 23 de Março, seu arco. Da era tradicional ao Shippudden, a história do ninja mais teimoso da aldeia da folha e seus amigos chega ao fim, acompanhado de todo o sentimento e carga emocional, digna daquele suor na lateral dos olhos. Independente da história as vezes massante e dos fillers, assistir a isso e crescer juntamente da obra significava como se desenvolver como pessoa e em uma relação inter pessoal.

Calma, meu sonho nunca foi ser um ninja ou fazer jutsus (confesso que sei alguns), mas todo aquele universo apesar de fantasioso e beirando ao utópico ainda trazia o belo discurso que eu sempre tentei carregar a vida real: “esse é meu jeito ninja de ser!”, frase clássica dita pelo protagonista que além de destacar-se como o maior bordão da série, consegue repassar todo seu significado.

Eu cresci com Naruto (dentre outros animes da Band ou TV Manchete), envelheci com ele e aprendi com as inúmeras burradas algum sinônimo de superação. Assisti a um personagem unilateral, sem amigos e rejeitado por conta de carregar um demônio dentro de si mesmo, desafiar a tudo e todos para proteger seus entes queridos e destacar-se no meio da multidão, crescendo, vivendo e superando seu lado obscuro.

Naruto não é só exemplo de “ganho financeiro”, vendendo bonecos, games, mangás, animes, roupas…  é sobre a superação e o quanto você precisa se doar e acreditar no seu maior sonho. Talvez o anime que mais marcou minha infância chegou ao fim com um “Até logo!” ao invés de um “Adeus!“, passando o bastão da série a seu filho Boruto, que continuará a produção.

A geração foi substituída mas jamais será esquecida. Obrigado por tudo, Naruto Uzumaki!