EXCELSIOR! Obrigado por tudo, Stan Lee

Dizer que estamos preparados para esse momento é como chover no molhado: crescemos sabendo que a vida começa programada com um ponto final, ali, um dia em que menos podemos esperar. Nesse meio tempo, cabe a nós em construir algo, viver, descobrir e principalmente, deixar um legado àqueles que virão nas próximas gerações. Stan Lee é um dos maiores sinônimos de “como deixar uma história” para o mundo.

Falar de histórias talvez seja a forma mais simples e direta de dizer como Stanley Martin Lieber chegou até mim, formando um pequeno “nerd” e um grande curioso, ditando minha carreira, meus projetos e além disso, me ajudando a pontuar sobre a vida.

Acervo pessoal não tão intacto assim!

 

Me lembro bem de ler coisas esporádicas: lia Tex por conta do meu tio e li alguns títulos da Dark Horse, enquanto navegava entre umas histórias do Tio Patinhas e Turma da Mônica. Enquanto criança, era difícil encontrar histórias cronológicas nas bancas/sebos que estimulasse uma coleção mas no final da minha 5ª série, um amigo me levou uma HQ maior que as comuns em questão de tamanho: era o Homem-Aranha.

Dizer que a história é incrível seria injustiça com tantas outras obras que li sobre, mas aquilo se resume a um estopim imenso na imaginação de um pequeno guri. Testei muitas ilustrações em cima daqueles traços, aprendi sobre poderes mas acredito que a principal sacada em ler um quadrinho seja entender a dimensão que aquele universo representava com o tempo.

Stan Lee conseguiu colocar questões étnicas, preconceito, xenofobia, assuntos LGBT em um universo fantasioso e de fácil imersão. Ajudou muitos a serem heróis e faróis em meio a escuridão, mesmo criando um mundo que não era perfeito: tinha contas a pagar, perdíamos ônibus, sofríamos com desilusões amorosas, trocávamos de amizades, tínhamos sentimentos … no meio de (geralmente) uma Nova York ambientada de deuses nórdicos, soldados congelados de outra época, acidentes nucleares, viagens espaciais/no tempo mas ainda, com um Peter Parker sem grana. Personagens morriam, voltavam, morriam novamente, trocavam de uniforme, ganhavam um side-kick, trocavam de lado mas em nenhum momento, deixaram de ser apaixonantes.

Obrigado Stan, por acreditar em nós e muitas vezes traduzir alguns sentimentos talvez intraduzíveis em versões com mais cores e falas num balão. Como você mesmo sempre dizia: “Excelsior”, que é do latim de seja superior ou mais elevado. Continue olhando por todos nós daí como um Celestial, sejam soldados, x-mens, inumanos, guardiões da galáxia, membros do 4º fantástico ou o que quisermos ser, pois de histórias todos nós temos um pouco!

PS: Agradecimentos a Mario Tomita e Pedro Galocha, ajudaram a escrever algumas frases e ideias para o texto.

EXCELSIOR!