Estrelas além do tempo e a luta pela igualdade!

Estrelas além do tempo e a luta pela igualdade!

Em muitas guerras e disputas políticas sempre há uma figura (ou figuras) que realizam trabalhos cruciais para a vitória da nação. Muitas dessas tornam-se obsoletas e suas histórias são esquecidas ou não contadas. Estrelas além do tempo (Hidden Figures, no original) é basicamente incluída neste contexto. Escrito e dirigido por Theodore Melfi com base no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, o filme conta a história de um grupo de mulheres negras que trabalhavam para NASA na época da Guerra Fria em 1961.

Por serem negras eram tratadas com diferença (assim como todos os negros do país), e eram obrigadas a não se misturar com brancos, usadas apenas pela sua inteligência (chamadas de computadoras humanas). Apesar do preconceito, Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), as protagonistas do filme, enfrentaram estas barreiras e se tornaram uma das principais responsáveis de colocar o primeiro homem estadunidense em órbita terrestre e consequentemente na Lua.

Com a trilha sonora de Hans Zimmer, Pharrell Williams e Benjamin Wallfisch o filme consegue ambientar muito bem a estética dos anos 60, com um visual característico e o nascimento da luta pelos direitos civis para negros. A direção de Melfi também não falha mas também não surpreende.

Taraji P. Henson entrega uma atuação descente, mesmo que em certos momentos não seja tão convincente. Em seu momento de explosão onde sua personagem está exausta por ter que caminhar quase 1 Km para usar o banheiro, a atriz consegue expor todo o sentimento necessário mas apenas em momentos de pressão consegue tal situação.

Por outro lado, Octavia Spencer realiza um show em frente às câmeras. Sua personagem é tão complexa e interessante que fica a sensação que precisasse de mais espaço no filme mas ainda sim cumpre seu papel. Spencer demonstra o sofrimento da personagem Dorothy, de não poder ganhar uma promoção de supervisora por ser negra, mesmo realizando as funções da mesma. Isto não a impede de persistir e estudar os complexos computadores da recém IBM e ser a única no complexo inteiro capaz de fazer estas máquinas funcionarem e realizarem os cálculos necessários.

Janelle Monáe também possui sua própria sub-trama, que infelizmente não pode ser mostrada devido ao curto tempo de filme. Mary Jackson era bacharel em matemática com o sonho de se tornar uma engenheira e ser promovida dentro da NASA. Monáe mostra a força feminina dentro da personagem, expondo todo seu sofrimento nos momentos de dificuldade e alegria nos momentos de conquista.

Estrelas além do tempo é muito mais do que um filme sobre as três cientistas negras da NASA que calcularam as trajetórias de voo do Projeto Mercury e do Apollo 11, nos anos 1960: É um filme sobre a força das mulheres negras, sobre suas conquistas e que nenhum homem ou mulher, seja de qual cor, raça ou religião seja possa impedir de alcançar seus sonhos.