A epopéia de A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

A tecnologia chegou e nós passamos por cyber-aprimoramentos, então esse texto não possui nenhum spoiler, apenas nossa opinião, a convite da Paramount Pictures.

Finalmente chega às telonas a tão aguardada adaptação da obra de Masamune Shirow: A Vigilante do Amanhã – Ghost In the Shell, protagonizado pela musa da cultura pop Scarlett Johanson, retrata uma realidade futurista cyberpunk.

Apesar das adaptações tecnológicas corpóreas serem um item do cotidiano na realidade apresentada, Major (Scarlett Johanson) é uma experiência pioneira de transposição cerebral para um receptáculo 100% mecânico/sintético, o famigerado Ghost (consciência) in the Shell (máquina), que apesar de tratar-se de uma supremacia da capacidade humana, ainda é propriedade da Hanka Robotics, sendo utilizada como uma arma na seção de anti cyberterrorismo da companhia (famosa seção 9).

A obra de Rupert Sanders enche os olhos no quesito áudio visual, seja você fã da franquia ou não. Entre planos abertos e tomadas aéreas, a imersão é certa: Graficamente, cada take do filme viraria facilmente um protetor de tela. Investindo em cores fortes dentro de hologramas numa cidade cinza, a fotografia da obra demonstra bem o quanto a tecnologia evoluiu comparado ao tempos atuais. O 3D também é bem simplista e suave, sem incomodar os olhos atirando coisas na sua cara a todo momento.

Apesar do tempo de tela dedicar-se mais a trama de Major, destacam-se em atuações nosso adorado Batou (Johan Philip “Pilou”Asbaek), que acompanhado de Gabriel (seu cachorro) tem seu plot mais amplo que na animação, junto a lenda do cinema oriental Takeshi Kitano no papel de Aramaki, lembrando-nos de não mandar coelhos atrás da raposa (melhor frase do filme).

Scarlett, muito criticada no começo por não ser uma atriz japonesa, representa muito bem como protagonista, ainda que demonstrando sentimentalismo sobre seu passado em algumas cenas iniciais, impõe-se como Major, mesmo tendo isso grande parte apenas no seu modo de andar.

O enredo foge do conceito filosófico da obra original, perdendo assim em profundidade, mas apresentando-se abrangente ao grande público e principalmente às pessoas que ingressarão neste universo. A singularidade do Ser, a caracterização da vida e a conscientização da nossa humanidade foi substituída pela busca do passado, a “descartabilidade” social e o interesse corporativista sobressaindo-se à ética e a moral, uma trama batida no cinema, mas que funciona. O questionamento existencial foi de certa forma substituído pela transcrição de problemas atuais da nossa sociedade. Com isso, o filme não inova, mas entretém.

A adaptação live action de Ghost in the Shell é agradável. Não podemos evitar comparações com a obra original que é um marco na cultura pop mas sabemos que nem tudo funciona em mídias diferentes. Os olhos dos fãs brilharão ao ver cenas emblemáticas como a luta na água e a batalha contra o Spider Tank recriadas com primor, mas podem se frustrar com a superficialidade da trama.

Resta saber se a recepção do grande público vai nos proporcionar a chance de vermos o mestre dos fantoches futuramente, afinal, uma mera cópia não nos oferece variedade ou individualidade. :D