Magia e Ação em um roteiro mediano de Rei Arthur: A Lenda da Espada

Certamente você já deve ter visto/lido ou pelo menos ouvido falar de alguma das lendas do Ciclo Arturiano, seja ela a Lenda da Espada, os Cavaleiros de Camelot, a corrida pelo Santo Graal, entre tantos outros contos que compõe essa riquíssima obra literária. E Hollywood sabe o potencial destes contos, uma vez que já foram exibidas mais de vinte produções audiovisuais, sejam elas cinematográficas ou televisivas. E desta vez ficou a cargo do diretor Guy Ritchie criar uma nova releitura com seu Rei Arthur: A Lenda da Espada.

Ambientado em um mundo místico, A Lenda da Espada traz a história de Arthur Pendragon (Charlie Hunnam) que, quando ainda criança, após a traição de seu tio Vortigern (Jude Law) e a morte de seu pai Uther Pendragon (Eric Bana), é “levado” para os longínquos becos de Londonium onde é criado a base da dura vida de rua. Aqui vemos a mistura da ficção com a lenda, onde um jovem Arthur torna-se um líder de sua comunidade, tratando de comércios e relações com o exército de Vortigern, até o surgimento da lendária espada Excalibur. Homens com a idade de Arthur são levados para tentar ergue-la e caso consigam, serão mortos pelo rei, uma vez que apenas o herdeiro de Uther poderia levanta-lá e encerrar a dinastia sangrenta de Vortigern.

Muitos personagens secundários são apresentados no filme, alguns até mesmo esquecíveis e em vários momentos desnecessários. A relação entre Vortigern e sua filha, tão importante para uma crucial parte da narrativa, é praticamente inexistente. Outra parte decepcionante é a falta de personagens tão importantes para a construção de Arthur, como o clássico mago Merlin que tem seu lugar substituído Guinevere (Astrid Bergès-Frisbey), onde na história é transformada em uma maga e enviada do próprio Merlin, que auxilia o grupo com seus poderes na retomada do reino.

E se já não bastasse estes pequenos problemas, temos ainda a péssima atuação de alguns atores e atrizes, que não expressam quase nada ou nem ao menos convencem em seus discursos ao longo do filme. Em compensação a interpretação de Jude Law é bem centrada e convincente, mostrando bem a soberania do vilão e seu desespero por poder. Charlie Hunnam também entrega uma boa atuação e se sai bem nos momentos cômicos, que foram muito bem introduzidos.

A trilha sonora também ajuda na frenesi do filme. Não estranhe se você se sentir em um jogo de vídeo-game, pois em vários momentos isso ficará bem claro. É até compreensível o valor de orçamento milionário utilizado neste filme, uma vez que a computação gráfica e outros efeitos visuais são fantásticos, principalmente em momentos que Arthur segura a espada com as duas mãos e ataca seus inimigos, muito semelhante ao jogo Berserk (2016) desenvolvido  pela Omega Force. E claro, um detalhe que não pode ser esquecido é o uso do 3D, mesmo não sendo nível Avatar (2009), é bem utilizado no filme, principalmente na ação.

Rei Arthur: A Lenda da Espada é um filme que pode dividir muito a opinião. Para aqueles que gostam muito do conto original ou do filme Rei Arthur dirigido por Antoine Fuqua pode estranhar esta nova história, principalmente pela falta de personagens tão consagrados. Por outro lado, se você gosta de um filme cheio de ação e efeitos especiais, junto de uma narrativa não tão imersiva e justificável pode se divertir muito enquanto assiste ao filme.