Crítica | Rampage: Destruição total

Crítica por: Adam William

A sétima e a décima arte nunca conversaram muito bem: são poucos filmes baseados em games que são bem aceitos pelo público e menos ainda aqueles que realmente bons – há de se convir que alguns filmes ganham um status cult com os anos, mas não são realmente bons.

Rampage: Destruição Total (Rampage) é um filme do tipo: há pouco valor como produto cinematográfico, mas não há dúvidas que o filme possa entreter o espectador, caso este não esteja procurando uma obra que permaneça na memória após os créditos finais.

O diretor Brad Peyton usou apenas o conceito primário do jogo oitentista, que basicamente consiste numa disputa para destruir cidades. Sem uma história de fato, Peyton obtém uma “licença poética” para criar em cima desse conceito, construindo uma trama simples: uma empresa trabalha com manipulação de DNA animal, mas o experimento sai do controle e acaba infectando George, um gorila albino – e ultimo de sua espécie – com quem o primatologista Davis Okoye (The Rock) nutre um laço de amizade.

Conforme o animal começa a crescer, ficar mais forte, rápido e agressivo – e surgem outras duas perigosas criaturas –, Okoye precisa descobrir uma maneira de salvá-lo. Tal como sua premissa, o filme se divide em três atos simples e bem definidos, o primeiro ato planta as – poucas – informações relevantes para a trama, no segundo vemos a mutação ocorrendo de forma mais explicita e, finalmente em um terceiro ato no melhor estilo Michael Bay de ser, com a tão esperada destruição total que o título brasileiro sugere.

Entretanto, a dissonância entre o primeiro e o último ato é gritante, de forma que das diversas informações e personagens trabalhados no começo do filme, pouco é aproveitado no decorrer, como por exemplo o grupo dos primatologistas que surgem no filme junto com The Rock e, literalmente, desaparecem posteriormente.

O mesmo pode ser dito dos antagonistas, Claire Wyden (Malin Akerman) – dona da companhia que infectou os animais e que está disposta a usá-los como armas – e seu comparsa interpretado por Jake Lacy, personagens que mal cumprem uma função que sequer era necessária no filme. Além deles temos Joe Manganiello como um coadjuvante de luxo e Jeffrey Dean Morgan, interpretando um agente do governo que quer capturar os animais.

O charme e carisma de Morgan são suficientes para cativar e seu personagem funciona, principalmente pelas suas trocas de farpa com o protagonista. Naomie Harris é o último nome a completar o elenco, interpretando a Dra. Kate Caldwell, uma geneticista que pode ajudar a salvar os animais.

Apesar dos diversos nomes do elenco, nenhum deles tem relevância na trama, sendo que um ou outro personagem tem um papel raso, mas visivelmente descartável. O filme, afinal, não requer um profundo desenvolvimento de personagens, o que prejudica ainda mais seus atos iniciais, que insistem em continuar trabalhando suas relações em vez de partir para a ação e, mesmo quando se atrevem a fazer alguma cena de ação, Peyton restringe o momento para guardar o ataque maior para o final.
Uma decisão lógica, mas infeliz, pois boas cenas, como a sequência do avião, acabam mal aproveitadas ao ficarem restritas a um lugar pequeno, nunca extraindo o máximo potencial de  seu protagonista símio. Aliás, não só George quando os outros animais são muito bem construídos pelos efeitos visuais, claramente um dos pontos altos do filme. O mesmo não se
pode dizer do 3D, uma vez que o efeito, salvo dois ou três momentos específicos, acaba subutilizado.

Talvez o maior erro de Rampage: Destruição Total seja permanecer no básico, mesmo sendo lançado após tantos outros filmes do gênero que trabalham a ideia de forma melhor – só dos últimos anos, podemos citar Colossal, Kong: A Ilha da Caveira, Godzilla e Pacific Rim – e apoiar-se unicamente no enorme carisma de The Rock. Não só isso, Brad Peyton se leva mais a sério que o recomendado ao invés de fazer seu filme de monstro exatamente o que devia ser desde o começo: um escapismo fácil e fugaz, tal como o jogo que o originara.