Crítica | Ser O predestinado para mudar o futuro pode ser perigoso

Distribuído pela Sony Pictures Worldwide Acquisitions, o longa metragem O Predestinado (em inglês: Predestination) foi dirigido pelos Spierig Brothers, mais especificamente, os gêmeos alemães Michael e Peter Spierig (futuramente podemos revê-lo em Jogos mortais 8). O roteiro, que também foi feito pelos irmãos, é uma adaptação do livro “All you zombies” (o mais próximo seria “Todos vocês são zumbies”) escrito por Robert A. Heinlein em 11 de julho de 1958. Os principais atores deste sci-fi/thriller são Ethan Hawke e Sarah Snook.

O filme foi globalmente estreado dia 8 de março de 2014 no SXSW (South by Southwest) em Austin, Texas, nos EUA. No mesmo ano ganhou 4 prêmios pela AACTA Awards (Australian Academy of Cinema and Television Arts Awards), eles foram: Melhor atriz para Sarah Snook, Melhor desenho de produção para Matthew Putland, Melhor fotografia para Ben Nott e Melhor edição para Matt Villa. Infelizmente, os cinemas brasileiros não o projetaram, sua estréia em blue-ray no Brasil foi em 19 de dezembro de 2015.

Inicialmente a história é contada por um homem (Ethan Hawke) que se identifica como um Agente Temporal, seu trabalho é viajar pelo tempo na tentativa de impedir o terrorista Detonador Sussurrante (nome escolhido pelos jornalistas) de explodir algumas cidades e matar milhões de pessoas. Nos grandes filmes sobre viagem do tempo cada personagem obtinha sua “máquina do tempo”, por exemplo, Doctor Who viajava através da TARDIS (Time And Relative Dimension(s) In Space), pela qual sua aparência exterior se assemelha a uma cabine de polícia londrina de 1963 e o inesquecível Doc Emmett Brown junto a Martin McFly viajavam em um carro modificado. A máquina do tempo do Agente Temporal é compactada em um estojo para violino. Com todo o respeito, o Agente é mais discreto que o Doctor Who e menos estiloso que o Doc Brown.

Na tentativa de impedir o Detonador Sussurrante, o Agente viaja para o dia 06 de novembro de 1970 em Nova York, ele assume a identidade de um bartender de um bar local e conhece John (Sarah Snook), após uma breve conversa, o Agente faz uma aposta “se John contar a pior história que o Agente já ouviu ele ganha uma garrafa de bebida”, o rapaz então lhe conta sua trágica história de vida e revela um segredo. Apesar disto tomar conta de mais que a metade do filme, é essencial para tentar entendê-lo.

A partir deste fato a ação se inicia, o telespectador sente-se como um agente temporal: identifica as pistas, monta um mapa do tempo mental, segue o rastro do Detonador, questiona algumas atitudes de John e do Agente, junta as peças, e quando falta apenas uma peça para terminar, simplesmente a peça não encaixa. Ou pior, encaixa, mas para isso é necessário aceitar algumas coisas, que em nossa mente são no mínimo peculiares.

É curioso existir um livro do final dos anos 50 em que o autor obtinha tal genialidade sobre futurismo e viagem no tempo, em uma época em que a televisão estava em ascensão e ficções desta categoria não eram comum. Não é sabido quanto tempo o autor levou para iniciar ou terminar o livro, mas supostamente, baseado na época em que foi escrito, existiam nos EUA vestígios da II Guerra Mundial, alguns militantes eram investigados e outros homenageados, e haviam também fabricações de bombas que realmente poderiam matar milhões de pessoas, será que seria uma ficção baseada em uma triste realidade?

O trabalho dos diretores/adaptadores de roteiro foi espetacular, a escolha do título foi certeira, as cenas são corretas, a fotografia com poucas escalas coloridas explorando tons de azul e preto evidenciando o suspense, é sensacional! O roteiro não é tedioso, os efeitos especiais e a maquiagem são muito bons e o desfecho do filme é incrível. Porém, o início nos faz querer desistir e passar algumas cenas, mas ao fazer isso o filme fica confuso, então essencial passar por este breve momento tedioso.

O elenco foi uma sábia escolha, Ethan Hawke já é um ator conhecido da indústria cinematográfica e não é nenhuma surpresa que sua interpretação deste filme ter sido excelente. A grande surpresa do filme é a atriz Sarah Snook, ela foi irreverente e muito convincente em sua interpretação, uma atriz em que Hollywood deveria prestar mais atenção.

Para os adoradores de sci-fi é um excelente filme e para aqueles que estão abertos a ideia para inventar uma máquina do tempo também.