Crítica | Escolha uma música e faça dela sua Soundtrack

O longa metragem Soundtrack é dirigido pela dupla 300ml (Manitou Felipe e Bernardo Dutra) com estreia marcada dia 06 de julho. No elenco conta com Selton Mello, Ralph Ineson, Thomas Chaanhing e Seu Jorge. Apesar da escolha do elenco, este é um filme brasileiro, a propósito, foi inteligentíssima a mistura de nacionalidades, os atores demonstraram um bom entrosamento e uma ótima performance.

O filme relata a história de Cris (Selton Mello) que viaja até uma estação de pesquisa polar para tirar selfies enquanto ouve uma trilha sonora pré-estabelecida por ele, para o mesmo fazer uma exposição de arte em que as pessoas possam escutá-las e saber o que ele estava pensando e/ou sentindo naquele exato momento da foto.

Nesta estação de pesquisa polar Cris ficou confinado com mais quatro homens, eles são: o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson) um homem temperamental que divide a casa (ou container) com o Cris, o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) que a princípio não gosta de “caras da arte” como Cris, o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran) que não sente afinidade alguma com o novo companheiro e o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge) que tenta amenizar a situação.

O longa deveria ser resumido pelos temas: amizade, pré conceitos, loucura, morte, legado, vida cotidiana, espaço vazio ou cheio, arte vs ciência, família, felicidade ou dinheiro, frio e entre tantos temas. Mas o entendimento esta além de nossa compreensão, o filme fala sobre algo complexo, delicado, e talvez angustiante. Ele fala sobre as relações humanas. O quão difícil é aceitar o diferente, reprimir seus sentimentos, ouvir, ser esquecido, e entre outros.

Vários aspectos são interessantes, além da fotografia com escalas neutras evidenciando a melancolia, obtemos no filme um cenário congelante, opostamente a realidade brasileira. Talvez o público o rejeite por estar distante da realidade, mas o frio evidencia o sentimento de melancolia, pelo fato de que é cientificamente comprovado que as estações do ano influenciam em nosso humor.

O frio também pode ser vista como um sentimento de frieza entre os cientistas e Cris, ou melhor, entre a ciência e a arte. Ambas são duas potencias que movimentam o mundo, primeira relaciona o mundo baseado em cálculos comprovatório sobre a verdade e a segunda trabalha com a verdade baseado em fatos verossimilhantes. Cris passa por vários momentos de pré conceitos e os cientistas concluem entre eles que a ciência é mais importante que a arte, sem ao menos conhecer o trabalho de Cris.

Conflitos a parte, no geral é um bom filme. Algumas imagens aparecem tremidas, o roteiro é bom, os cortes das cenas são ríspidos, acertaram na escolha do elenco, a fotografia é muito boa, mas o filme não é objetivo em relação ao seu conteúdo, aliás, neste longa existem vários assuntos, alguns mais aprofundados que outros.

Entretanto, é um bom filme brasileiro com qualidade americana. Parabéns Brasil!!!