Crítica | Cuidado, Cães Selvagens!

Ação, policiais, sangue, drogas, bipolaridade, doses de humor negro e muitas referências de GTA (Grand Theft Auto V) compõe o filme Cães selvagens (em inglês: Dog eat Dog) dirigido por Paul Schrader, que estreia dia 06 de abril nos cinemas brasileiros, o longa é baseado no livro homônimo de Eddie Bunker, que relata a história de três ex-condenados que se conheceram na prisão e para sobreviver do lado de fora eles aceitam qualquer trabalho e seguem o seguinte ditado: “pagando bem, que mal tem?”.

Para aqueles que curtem filmes com os temas: sexo, droga e prostituição ou GTA é um ótimo filme para assistir, para aqueles que preferem comédia também é uma ótima recomendação, já que o tom irônico envolto da violência arranca algumas risadas politicamente incorretas, mas afinal de contas, o filme é politicamente incorreto.

Falando em incorreto, os personagens são os mais convencionais para filmes de ação, Mad Dog (Willem Dafoe) é o típico drogado que fala demais que é semelhante ao Trevor de GTA 5, se o conhece sabe que este personagem é caracterizado por uma personalidade bipolar e picos de agressividade. Mesmo com piadas equivocadas e seu desejo assassino sentimos empatia por esse intrínseco personagem de Dafoe. Troy (Nicolas Cage) é o ganancioso negociador que “cuida” dos serviços administrativos e da logística dos crimes e Diesel (Christopher Matthew Cook) é o cara musculoso e mostra-os com virilidade! Entretanto não é bem assim, seu personagem é como o Hulk, fica verde de raiva e quebra tudo pela frente quando necessário, porém dentro dele existe uma alma bondosa, ele é o personagem neutro entre a loucura de Mad Dog e a ganancia de Troy.

Nicolas Cage é um ator peculiar, neste filme aparenta-se em segundo plano ou até mesmo perdido, porém se empenha em demonstrar um bom trabalho, mesmo validando sua “má vontade”. Willem Dafoe salva o filme, uma vez que é o destaque simplesmente em interpretar as fases de loucura de Mad Dog, entretanto, já que Cage e Dafoe não tem músculos ficou ao cargo de Christopher Matthew Cook que é um ator com pouco destaque no inicio, poucas falas, infelizmente seus músculos falaram mais alto.

A história dos personagem é focada no passado, esta realça o presente. O roteiro fornece algumas informações básica e que pouco faz sentido no filme. Outro ponto é o longo desfecho, como se o diretor não soubesse como encerrar o filme.

Três personagens com grande potencial, mas desfocados em um longa que nada acrescenta ao telespectador. A fotografia é confusa, as piadas são boas, muitas mortes e cenas desnecessárias e a música é corrente as cenas. Na segunda metade o filme desanda e segue um novo curso sem rumo e algumas histórias iniciadas não são concluídas. Um filme com referência entre qualquer filme policial antigo e GTA. Alguns tropeções fazem desta longa metragem uma perdição sem fim, no entanto pequenos acertos nos faz repensar que este pode ser um bom filme.